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“Sei que alguns pássaros não podem viver numa gaiola. Suas penas brilham demais. E quando eles voam você fica contente, porque sabia que era um pecado prendê-los. Mesmo assim o lugar onde vive se torna mais vazio e chato depois da partida”.

O filme “Um sonho de liberdade” mostra a realidade de detentos sentenciados à prisão perpétua dentro de uma cadeia, mas ao mesmo tempo mostra esperança e persistência como formas de vencer desafios criados por uma nova realidade. Os detentos passam por uma série de mudanças em suas vidas, desde o primeiro dia na prisão, quando na primeira caminhada andam em meio aos já residentes, passando por humilhação, e não pára por ai, após serem lavados, eles são obrigados a andar nus até suas celas. A esperança vai se perdendo, e o detento percebe que sua vida a partir dali não será mais a mesma, sua liberdade foi tirada.
Na primeira noite de Andrew um novato é espancado pelos guardas após ter entrado em desespero com as provocações, ou talvez pelo choque de realidade das quatro paredes que o enjaulavam, e morreu pelo medo que a prisão de Shawshank lhe causara. Para fugir desse desespero, ou talvez não enlouquecer, os presos tentam inventar ocupações para passar o tempo livre entre suas tarefas obrigatórias. E como todos os outros, Andy tratou de procurar algo que fizesse o tempo passar mais rápido.
“Mas Andy era diferente, caminhava diferente, falava diferente, andava como se fosse invisível, sem problemas, sem preocupações, utiliza de sua capa invisível, seus pensamentos como escudo para não se entregar ao desespero.”
No começo a vida de Andy foi bem difícil, nos primeiros dois anos principaalmente, quando ele se recusa a participar de um grupo de homossexuais, mas estes sempre conseguiam o que queriam, e estavam dispostos a utilizar da força para conseguir o que queriam, e foi o que aconteceu, Andy era espancado, algumas vezes escapava, mas sempre aparecia com novos machucados.
As coisas começam a mudar quando ele consegue ser sorteado para um trabalho externo, onde consegue convencer um guarda a deixá-lo fazer um trabalho bancário, em troca só pede algumas cervejas geladas para seus companheiros, com o sol nas costas. Após um dia de trabalho bebendo algumas cervejas podemos ver presos tendo uma leve lembrança da liberdade, e graças a belíssima filmagem podemos sentir isso também. Quando voltam Andy aparece no cinema onde pede uma Rita Hayworth para Red, mas ao sair de lá ele encontra o grupo de homossexuais, que o espanca. Os guardas, em defesa de Andrew, espancaram severamente o chefe do grupo, que foi transferido quase morto. Após um mês na enfermaria Andrew volta à sua cela onde encontra um cartaz da Rita.
Red é um preso experiente que se torna o melhor amigo de Andrew, e também é o narrador da história. Ele vem buscando há anos a liberdade condicional, e é conhecido como aquele que consegue tudo o que se precisa, é ele que conseguirá o martelo para Andrew, e mais tarde, os cartazes de suas mulheres. Tranquilo, Red é o ponto de equilíbrio que impede que Andy perca a cabeça, e que permite que o amigo consiga suportar todos aqueles anos na prisão. Contudo, é também através de Andy que Red renovará seu conceito de esperança e encontrará a redenção.
Ao decorrer do filme, podemos perceber que por trás do sistema penitenciário e de todo o rigor penal, existe um sistema corrupto que parte desde atos pequenos como o contrabando, o abuso de autoridade exercida pelos policiais, até atos grandes como lavagem de dinheiro para a diretoria. E Andy, como um bancário experiente que já fazia parte das finanças da cadeia, se mostra intensamente envolvido nisso, pois ele que irá usar seu conhecimento para lavar dinheiro, e criar uma pessoa que nem existe (Randal).
O inteligente Andy vai planejando cada passo com calma, também porque, como diz Red, tudo que ele tinha na prisão era tempo – e o tempo passa lentamente naquele local. Podemos ver essas transições de tempo quando Andy senta para fazer o primeiro imposto de renda para um guarda e, em seguida, vemos Brooks contando a história para os amigos. Andy faz o imposto de renda dos guardas seguidamente e podemos acompanhar também o crescimento do pássaro Jake, que Andy conheceu nos seus primeiros dias, quando Brooks o alimenta com uma larva que estava no prato de Andrew.
Os personagens estabelecem uma excelente química em suas relações mostrando que eles realmente se importam uns com os outros. Temos uma clara visão disso quando Andy presenteia o amigo com uma gaita após sair da solitária. Mas Andy também conquista outros prisioneiros com seu jeito diferente de ser, uma pessoa que entendia de geologia, gostava de polir pedras e jogar xadrez. Seu relacionamento mais intenso envolve o elétrico Tommy, por isso, quando lhe avisam que “o menino passou”, seu sorriso de canto de boca significa muito, demonstrando que ele se sente recompensado por todo o esforço que fez. Aliás, Tommy é responsável também pela grande guinada na narrativa, quando traz a tona novamente o assassinato da esposa de Andy, e a revelação surge como uma bomba: Andy era mesmo inocente!
Temos muitos indícios de que Andy cometeria um suicídio, como por exemplo, a estranha conversa com Red, o pedido de uma corda, a morte de Tommy, os meses na solitária e é claro a narração de Red sobre a noite mais longa, com uma tempestade de fundo. “Todos têm um limite”, afirma Red, durante a estranha conversa, onde Andrew revela o nome da cidade mexicana de Zihuatanej, margens do Pacífico, onde tudo se esquece. Reforçando isso a contagem de presos começa no dia seguinte e Andy não aparece, o guarda vai até a cela, olha levemente pra cima e diz “Meu Deus!”, daí todos começam a procurar pelo homem que “sumiu ao vento”. A cela vazia e o interrogatório que começa deixam nossas mentes intrigadas. O que teria feito Andy? E então, quando Rachel revela seu segredinho (algo indicado brilhantemente pelo som da pedra que percorre o buraco na parede), Andy fugiu! Tem início então a meticulosa reconstituição da trajetória de Andy desde o dia em que ele escreve na parece até a fuga.
A perfeita estruturação da fuga e cada detalhe dela impedem que a platéia perceba o que se planeja. Os mínimos detalhes do plano de fuga são fascinantes, como a Bíblia com o martelo dentro (e a irônica frase deixada para o diretor “a salvação vem de dentro”), as pedras espalhadas pelo pátio, os sapatos trocados no dia da fuga, a escolha de uma noite chuvosa para abafar o barulho e até mesmo o pedaço de corda. São os pequenos detalhes como este que mostram como o diretor Frank Darabont estruturou precisamente o incrível roteiro.
Os personagens são muito bem desenvolvidos e até mesmo personagens secundários como Brooks e Tommy têm passagens marcantes pela narrativa. Brooks, que era tido como um intelectual, fora da prisão era um velho descartável, um ex-detento assustado. Rejeitado, sem ocupação, tentando voltar à vida corrida, diferente… Tendo que se adaptar ao moderno, o ex-presidiário é excluindo do meio. Exclusão também mata, essa foi a razão pela qual Brooks cometeu suicídio – ele preferiria estar na cadeia, onde tinha uma ocupação, status, se sentia em casa, ou melhor, onde estava acostumado. O mesmo só não aconteceu a Red porque ele prometeu ao amigo Andy que procuraria um presente (uma carta) após ser liberto e quando a leu optou pela vida.
Outro fato marcante do filme é a belíssima trilha sonora, que se destaca em momentos como quando Andrew se tranca numa sala, liga o sistema de alto falantes da cadeia e invade as paredes do lugar com a doçura do canto das italianas: “esta é a beleza da música, ninguém pode tirá-la de você”.
Amanda Mota
Beatriz Feijes
Brenda Florencio
Luiz Campos
Luiza Carvalho
(Source: Boing Boing, via gabrielcezar)
profmtoledo asked: muito bom! idéias variadas se misturando no blog, contando com participações de leitores! parabéns!
obrigada!

Anonymous asked: a guy with great hair and style but not cute , is he worth it?

not cute?
Olha você pode não ser perfeito pra todo mundo, mas com certeza vai ser perfeito pra alguém, e isso que importa.
Anonymous asked: Pra um menino, como estar atraente?

Copia. Hahaha, brincadeira.
Eu acho que vale muito mais ter um próprio estilo, e a atitude afinal a aparência se torna uma consequência disso.

Oscar de la Renta no backstage do Fashion Week, em Nova York. Tão raro ver um homem designer que consegue deixar as mulheres vestidas assim. Amazing.
(Source: leilockheart, via -keron)